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Parafuso inteligente contra clonagem e vistoria digital marcam anúncios da ANDTECH 2026

Durante a ANDTECH 2026, a Associação Nacional dos Detrans anunciou novas tecnologias para modernizar o sistema de trânsito brasileiro. Entre os destaques estão o Dispositivo de Segurança de Emplacamento (DSE), conhecido como parafuso inteligente, criado para combater a clonagem de placas, e o SIVED, sistema nacional de integração digital das vistorias entre Detrans. As iniciativas se conectam ao marco regulatório formado pelo Código de Trânsito Brasileiro, pela Resolução CONTRAN nº 941/2022, pelo PL 3507/2025 e pela Portaria nº 47 do Detran-SP, reforçando a tendência de digitalização, rastreabilidade e segurança no controle da frota veicular.

A ANDTECH 2026, maior encontro nacional dedicado à tecnologia e inovação no trânsito, apresentou uma série de iniciativas que podem transformar o sistema de controle veicular no Brasil. Entre os anúncios mais relevantes estão o Dispositivo de Segurança de Emplacamento (DSE) — conhecido como parafuso inteligente — e o Sistema de Integração de Vistorias entre Detrans (SIVED).

As duas soluções atacam problemas históricos do setor: clonagem de placas, fragilidade no sistema de emplacamento e burocracia na circulação de laudos de vistoria entre estados.

Essas iniciativas também refletem um movimento maior do sistema de trânsito brasileiro: mais tecnologia, integração de dados e rastreabilidade digital.

Parafuso inteligente: um novo lacre digital para placas Mercosul

O DSE (Dispositivo de Segurança de Emplacamento) foi anunciado por Givaldo Vieira, presidente da Associação Nacional dos Detrans (AND), durante a ANDTECH 2026.

A proposta busca corrigir uma fragilidade existente no modelo atual de placas Mercosul. Embora o novo padrão tenha modernizado o sistema de identificação veicular, ele eliminou o antigo lacre físico utilizado nas placas cinzas.

Na prática, isso abriu espaço para fraudes.

Hoje, a fixação das placas ocorre com parafusos comuns, que podem ser removidos e reutilizados por quadrilhas especializadas em clonagem de veículos.

O impacto desse crime é significativo. Somente no estado de São Paulo, cerca de 5 mil pessoas por mês são vítimas de clonagem de placas.

O novo dispositivo pretende reduzir esse risco.

Como funcionará o DSE

O parafuso inteligente funcionará como um lacre digital de segurança, integrado diretamente à placa.

O dispositivo terá capacidade de:

  • identificar tentativas de violação da placa;
  • emitir alertas em caso de remoção ou adulteração;
  • armazenar dados criptografados do veículo;
  • permitir rastreabilidade digital em fiscalizações.

Além disso, o sistema será compatível com tecnologias já existentes, como:

  • pedágios eletrônicos e sistemas free flow;
  • sistemas de estacionamento inteligente;
  • leitura automática em fiscalizações eletrônicas.

O dispositivo poderá ser identificado por proximidade ou por sistemas automatizados, ampliando a capacidade de controle do poder público.

O projeto foi testado em cidades como Magé (RJ), Leopoldina (MG) e Serra (ES).

A tecnologia também será integrada ao AI2 – Ambiente de Integração e Interoperabilidade, plataforma vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação voltada à integração de soluções tecnológicas.

O desenvolvimento contou com acompanhamento da Senatran e do Inmetro para garantir compatibilidade com o padrão Mercosul.

Atualmente, o sistema está em fase de validação jurídica e busca adesão dos Detrans estaduais.

SIVED: a vistoria digital entre estados

Outra inovação apresentada foi o SIVED – Sistema de Integração de Vistorias entre Detrans.

O sistema pretende digitalizar e integrar nacionalmente as vistorias obrigatórias em situações como:

  • transferência de propriedade entre estados;
  • mudança de domicílio do veículo.

Hoje, o processo ainda envolve grande volume de burocracia.

Em alguns casos, veículos precisam percorrer longas distâncias para realizar vistorias presenciais, e documentos físicos ainda são utilizados para validação entre órgãos.

Segundo Givaldo Vieira, ainda existem procedimentos que utilizam laudos em papel, envelopes lacrados e carimbos manuais, estruturas vulneráveis a fraude.

Com o SIVED, os laudos circularão digitalmente entre os Detrans, com validação segura e rastreável.

O sistema também utilizará inteligência artificial para análise e verificação dos documentos, reduzindo fraudes e aumentando a eficiência do processo.

Cada Detran continuará responsável pela emissão dos laudos, mas o compartilhamento ocorrerá de forma integrada.

Redetran e a integração nacional de dados

Outro projeto apresentado foi a Redetran, uma rede nacional voltada ao compartilhamento de informações entre Detrans.

Hoje, o Brasil possui cerca de 123 milhões de veículos, com dados muitas vezes fragmentados entre diferentes sistemas estaduais.

A Redetran pretende criar um ambiente de consulta integrado, com atualização mais rápida e interface unificada.

Cada Detran manterá seu próprio servidor para evitar sobrecarga dos sistemas locais, enquanto a rede permitirá consultas seguras e interoperáveis.

O modelo segue protocolos de segurança semelhantes aos adotados por países com forte governo digital, como a Estônia, e respeita as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A plataforma também contará com um ambiente analítico chamado Torre AND, reunindo indicadores nacionais para apoiar decisões estratégicas sobre mobilidade e segurança viária.

A conexão com o marco regulatório do setor

As iniciativas apresentadas na ANDTECH se conectam diretamente ao processo de evolução regulatória do sistema de trânsito.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece o controle da frota como responsabilidade do Estado.

A Resolução CONTRAN nº 941/2022 exige metodologia técnica estruturada e produção de evidências digitais nas vistorias de identificação veicular.

O PL 3507/2025 reforça o papel da inspeção e da vistoria como instrumentos de prevenção de acidentes e controle da frota circulante.

Já a Portaria nº 47 do Detran-SP fortalece a fiscalização baseada em padrões operacionais e análise de dados históricos.

Nesse cenário, tecnologias como o DSE e sistemas como o SIVED ampliam a capacidade de rastreabilidade, segurança e integração do sistema.

Tecnologia como ferramenta de segurança e eficiência

Os anúncios da ANDTECH 2026 mostram que o sistema de trânsito brasileiro caminha para um modelo cada vez mais baseado em:

  • tecnologia antifraude;
  • integração nacional de dados;
  • digitalização de processos;
  • inteligência artificial aplicada à fiscalização.

Essas mudanças não representam apenas inovação tecnológica.

Elas representam uma tentativa de tornar o sistema mais seguro, mais eficiente e mais confiável para o cidadão.

Se implementadas em escala nacional, essas iniciativas podem representar um dos maiores avanços já vistos na infraestrutura tecnológica do trânsito brasileiro.

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Danilo